A melhor profissão é ser advogada.

1 month ago
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O documento revelado pelo O Globo não é apenas um contrato, é um raio-x da promiscuidade entre dinheiro, influência e o topo do Judiciário brasileiro. O Banco Master fechou um acordo para pagar R$ 3 milhões líquidos por mês, durante 36 meses, ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. No total, são R$ 108 milhões líquidos de prolabore - uma fortuna que escancara o nível de poder que algumas famílias alcançam quando estão no centro do sistema.

Os valores são líquidos, ou seja, o banco ainda cobre tributos que elevam o bruto mensal para R$ 3.646.529,77. PIS, COFINS, CSLL, IRPJ: tudo calculado, tudo incorporado, tudo religiosamente depositado até o quinto dia útil. Um contrato que garante renda milionária mensal, estável e blindada por três anos.

O escândalo não está apenas no valor obsceno, mas no contexto. O Master é um dos bancos mais expostos a regulações, decisões judiciais e operações federais. Vive em um ambiente onde qualquer julgamento do STF pode alterar rumos, fortunas e sobrevivência institucional. E mesmo assim - ou justamente por isso - firma um dos maiores contratos advocatícios do país com a esposa de um ministro que, hoje, concentra poder como poucos na história brasileira.

Não se trata de ilegalidade explícita, o problema é mais profundo: é o retrato de um sistema onde o poder se protege, se financia e se retroalimenta. Onde grandes bancos entendem exatamente quem pode influenciar o que, e investem pesado nisso.

Chamem como quiserem: conflito de interesses, captura institucional, zona cinzenta, “coincidência”. Mas a realidade é uma só: não há democracia saudável quando um banco deposita R$ 108 milhões na conta do escritório da família de quem julga o país.

Este contrato é mais que um documento, é uma confissão.

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